12 de janeiro de 2006

Tocar um veículo de conteúdo jornalístico deve realmente ser muito complicado. Digo isso porque os jornalistas tendem a entrar em um círculo vicioso de produção de conteúdos sazonais, que qualquer pessoa um pouco mais atenta pode reparar. Para sorte de nossos veículos, a maioria dos homers que formam a audiência não reparam. Mas, para alguns mais atentos (dos quais eu acho que faço parte), algumas coisas saltam aos olhos. Para 2006, sou capaz de apostar um dedo de cada mão nas seguintes reportagens:

- curiosidades sobre a cidade alemã de Cologne (ou qualquer outra), que hospedará o Brasil na copa. Essa deve ter, inclusive, curiosidades sobre campos de concentração ou pessoas que fugiram dos nazistas por lá.
- o esforço do (a) eleitor (a) Fulano (a), o (a) mais velho (a) do Brasil, para votar para presidente. Com direito a entrevista em que não se entende nada o que ele fala.
- a dificuldade em se levar as urnas para as zonas de votação próximas às populações ribeirinhas (população ribeirinha é do caralho!!!) no norte do país.

Essas são de 4 em 4 (copa) ou 2 em 2 (eleições) anos, mas tem as de todo ano. Tipo, o desespero da repórter porque o carro alegórico número 3, Adão e as Delícias do paraíso Afro nos braços de Eva, da Mangueira, não vai poder entrar na avenica, porque soltou o eixo do gigolô de encosto do pino da catarineta, atrasando o resto da escola e compromentendo o desfile.

Mais recentemente, um tipo de reportagem sazonal invadiu as nossas vidas... São os veículos que tentam tirar uma lasquinha da audiência do BBB, da Globo, e abrem espaço que muitos temas extremamente mais importantes não tem. Ou você já viu um hot site especial para ESCOLAS em portais de expressão, com o destaque que tem o hot site do BBB? As comparações com os participantes anteriores, os bolões de apostas, a rodinha para falar mal desse ou daquele, elogiar a bunda dessa ou aquela é gostosa mais é ordinária, essa é garota de programa, esse é amigo de nego da globo, boatos, história e assim se enchem páginas e páginas de revistas, jornais, portais de internet... Até mesmo programas de outras emissoras, daqueles especializados em "celebridades" fazem uma "transmissão paralela", contando o que está acontecendo dentro da casa da emissora do Rio. É muita falta de assunto, aqui entre nós.

Pelo menos, nas minhas resoluções para 2006, decidi que não vou sequer ter a curiosidade de ler sobre nada que tenha a ver com isso. Sou, até certo ponto, obrigado a ver várias das reportagens sobre o eleitor mais velho ou sobre a urna na população ribierinha. Mas o carro alegórico e a torcida pelo ilustre desconhecido que pode ficar rico, eu passo. Se tem um desconhecido que eu quero que fique rico, sou eu. E olhe lá!

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