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24 de agosto de 2009

Fim do Mundo

Esse final de semana tava vendo um filme na TV daqueles em que o mundo está acabando, todo mundo vai morrer, aí mandam (literalmente) meia dúzia de pessoas para o espaço para salvar a humanidade toda. Tipo Armaggedon, manja?

A história, pelo que entendi, era a seguinte: o Sol tava começando a pipocar e apagar, aí mandaram um bando de gente prá tentar "acender" o bichão de novo. Essa primeira equipe sumiu e o Sol continou com poblemas. Aí mandaram outra equipe, prá descobrir o que aconteceu com a primeira e dar um jeito no Astro Rei.

Muita gente fica imaginando o que vai acontecer quando acabar o petróleo, a água, a comida, a carne, as baleias, os golfinhos e quando o Sol começar a apagar. Eu, honestamente, não me preocupo com isso.

O ser humano é um bicho tão besta, que antes de qualquer uma dessas coisas acontecer, daqui a sei lá quantos bilhões de anos, já vamos ter dado um jeito de não existirmos mais. Alguma guerra, praga, peste, holocausto, alguma coisa nego vai inventar e o mundo será habitado somente por baratas e restos de civilizações.

Vai ser tipo Wall-e, mas acho que nem os gordões no espaço vai ter. Só baratas e restos.

Estou total otimista, hoje.

28 de julho de 2009

Tudo que eu não comentei

Todo mundo adora dar pitaco. Eu inclusive. Mas quem frequenta esse buraco da internet sabe que eu odeio o hype. Então espero passar o hype que eu odeio, para dar pitaco que eu adoro. Então, passado o hype, vamos aos pitacos:

Michael Jackson: todo mundo sabia que não ia morrer velhinho, branquinho, com cabelo de algodão. Ninguém mexe tanto com a própria saúde impunemente. Falem o que falar, mas MJ era, sim, um gênio. Goste você dele ou não. Eu mesmo, nem gosto muito. Mas, como todo gênio, variava entre picos da mais pura genialidade, tipo composições como Beat it, Black Or White e Thriller, e picos da mais pura imbecilidade, como plásticas sucessivas na tentativa de montar uma pessoa que ele aparentemente gostaria de ser. Tem quem diga que ele foi mais importante para a música que o Elvis. Bullshit. Sem o Elvis, que tirou a música feita por pretos do underground, MJ talvez nem aparecesse para as massas, só para os pretos.

Falando nisso: o pior tipo de racismo é o reverso, em que chamar um preto de preto é crime, mesmo ele sendo preto. Negro, afro, ou seja lá o nome que se queira chamar, a PESSOA é sempre mais importante que a cor. Um dos meus melhores amigos era preto, eu chamava ele de Negão e ele me chamava de Neguinho, um de meus apelidos em casa é Preto, já que meu pai e minha irmão são branquelos e eu sou marrom. Para a minha avó, pelo jeito que ela falava, chamar de Negro era mais ofensivo do que chamar de Preto. Um show do Cris Rock no Brasil seria proibido, porque metade das piadas ele chama os negros de Preto, ele mesmo, negão da cor. Repito: a pessoa é mais importante que a cor. Isso posto, essa palhaçada com o Danilo Gentili é só marola de quem quer aparecer de carona no prestígio alheio. Até porque, se ler o que ele escreveu, é uma piada totalmente anti-racismo, mas que aparentemente teve gente que não teve inteligência o suficiente para entender o sarcasmo que caracteriza o humor do cara.

E antes que venham me espezinhar: tenho amigos pretos, brancos, japas, chinas, judeus, árabes, marrons... Devo ter até algum amigo normal, mas não saberia dizer qual deles.

Fretados: outra atitude, digamos, de pouca inteligência. Com o transporte público ridículo que temos em São Paulo, tirar os fretados é tipo colocar 50 carros a mais na rua. Restringir, beleza, até faz sentido, mas tem que dar alternativas no mínimo com a mesma qualidade. Tirar um fretado e falar para o cara pegar um ônibus de linhas, que "é a mesma coisa", é uma mentira deslavada. Queria ver qualquer político de São Paulo andando regularmente, sem o bando de segurança ou de puxa-saco em volta, num ônibus de linha, sendo esmagado, encoxado, roubado e tudo ado todo santo dia. Talvez eles até resolvessem melhorar o transporte.

Por último, o Sarney: Bem feito. O Brasil merece gente desse tipo. Foi a gente que elegeu o Sarney. Opa, peraí, eu não, não votei nele e nem voto no Amapá. Sim, eu sei disso. Nem eu. Mas você voltou no Suplicy e no Mercadante, né? Senadores por São Paulo. Que são do PT. Que depois de séculos espezinhando o Sarney, botou ele lá de presidente do Senado, e diz que sem ele não tem "governabilidade". De novo, bem feito! Enquanto a gente não MUDAR essa corja que tá lá desde os tempos do império, não vai mudar absolutamente nada. Se não é o Sarney é o Renan, o Severino, o Collor e por aí vai...

Mais um post enorme. Ainda bem que a Barbara Gancia não lê o Esblogo, senão ia brigar comigo de novo! :P

27 de abril de 2009

Será que ele morreu?

O presidente do Afeganistão deu uma entrevista falando que tem certeza que Osama Bin Laden está morto. Não sabe dizer como morreu, nem onde está o corpo, mas tem certeza que ele já não anda mais no mundo dos vivos.

Eu acho que para os grandes interessados (ou não) em achar o cara, que são os americanos, o que dá mais angústia é essa incerteza. E agora? Morreu mesmo e a gente pode arrumar outro cara para ser o inimigo público número 1 da América, ou será que é mais um despiste e o cara está em um palácio no meio do deserto, cercado de mulheres de burka e homens bomba em treinamento?

A história dos americanos é cheia de gente que não se sabe como morreu, nem quando, nem onde foi parar, prá falar a verdade. Um dos casos mais comuns, referência constante em tudo que é filme e série americana é o tal do Jimmy Hoffa, que dirigia um poderoso sindicato dos caminhoneiros nos US&A e até hoje nego se pergunta o que aconteceu com o cara.

Pois é. O Bin Laden é assim também, mas em escala global. Se Hoffa é um caso conhecido no norte, o Bin é conhecido no mundo inteiro, principalmente por causa do 11 de setembro. E é tudo cercado de mistério. Eu não consigo imaginar como a maior potência militar do mundo, que achou o Saddam num buraco no meio do deserto, não consegue achar o cara ou confirmar que ele morreu. Tudo bem que o deserto é grande, enganador e traiçoeiro, mas com certeza ele não está sozinho por lá. Deve ter pelo menos um camelo junto, uma pequena comitiva, sei lá, prá quem sobrevoou o desgraçado do deserto que nem os americanos sobrevoaram, já deviam ter achado pelo menos umas comunidades nômades que trocaram uma idéia com o Bin.

Quando o Bush era o presidente da bagaça, eu até acho que ter uma "ameaça" pairando no ar era útil. Para o Bush, claro, que fazia o que bem entendia em nome da segurança nacional e vamos que vamos. Agora, me parece que o tal do Obama é um cara mais esclarecido, e com essa crise do capeta que tá por lá, ele deveria ter outra prioridade que caçar um fantasma barbudo. Se o cara morreu mesmo, se alguém sabe que ele morreu, devia aparecer e falar: Então, meu povo, o Bin já era. Vamos cuidar da vida, tocar o bonde e dar um jeito nas finanças aqui, porque o tempo que o Bushinho caçou o barba, nego aqui deu um jeito de tirar 50 bilhões da galera bem debaixo o nariz dele.

Numa época que a insegurança é outra, e não tem terrorismo maior que passar fome, seria uma boa, fala aí?

13 de abril de 2009

Ensaio sobre o cigarro

Esse devia ser o nome da lei do Serra sobre o cigarro. Que até agora só li gente sentando o cacete. Coincidentemente, as opiniões eram de fumantes.

Claro que se proibissem alguma coisa que eu gosto muito eu também ficaria puto. Lembro, por exemplo, que quando eu era moleque, e skatista, o Jânio quis proibir o skate em São Paulo. É ridículo, o Jânio era um véio gagá, mas apesar de diferença óbvia na categoria de proibidos, tem muitas semelhanças entre as duas proibições.

O Skate, alegava o nada saudoso político, era prejudicial à cidade. Destruía o patrimônio público, punha em risco a população, que podia ser atingida por um skate na cabeça e, principalmente, skatista era tudo marginal. O cidadão de bem poderia ser assaltado por um desses elementos, que fugiria em seu skate em alta velocidade. Sem contar que o barulho dos skates contribuía para a poluição sonora da cidade.

No caso do cigarro, por mais diferente que seja, também tem esse lado de ser prejudicial à cidade. Afinal, todo fumante que eu conheço, não se importa nem um pouco de jogar o cigarro no chão e pisar em cima, como se bituca não fosse lixo. Também coloca em risco o cidadão que está por perto e não quer fumar, mas acaba aspirando a fumaça alheia. E é óbvio que eu não vou dizer que todo fumante é um marginal que pode assaltar o cidadão de bem.

Infelizmente não é possível fazer uma lei implementando o bom senso. Ou proibindo a chatice. Falta bom senso dos dois lados, tanto de fumantes quanto de não fumantes. Dos fumantes de fumar exageradamente em ambientes fechados, mesmo quando permitido. Em restaurantes, várias vezes o limite entre a área para fumantes é um corredor entre as mesas. Mas ainda não ensinaram a fumaça a respeitar. E dos não fumantes em entender que cigarro é um vício e não é fácil (pelo menos é o que me dizem) largar de uma hora para outra. Se não quer ir num lugar e sair cheirando a cigarro, vá onde as áreas de fumantes são fisicamente separadas. Quer sair com amigos que fumam? Então não reclame do fumacê. Ou os convença a não fumar enquanto estiveram com você.

O ponto principal do problema, aqui, não é quem fuma e quem não fuma, nem onde e nem quando. O negócio é que está ficando cada vez mais difícil a convivência entre pessoas que pensam de forma diferente. A intolerância a idéias diferentes da sua própria está se tornando comum a ponto de aceitarmos qualquer medida, ditatorial que seja, para só estarmos perto de nossos iguais.

Meus pais e minha irmã fumam. Na minha casa, não fumam. Me faz mal, eu não quero, ponto. Conversamos civilizadamente e eles vão fumar na rua quando estão em casa. Do mesmo jeito, na casa deles, as regras são deles. Se querem fumar, fumam, eu saio de perto e acabou o drama. Tenho poucos amigos mais próximos que fumam. Não me lembro de ter ido a um restaurante com fumo liberado ou áreas próximas e ter ficado nele. Azar do dono, que perdeu um cliente. Compensa em fumantes, talvez.

Sei que cada dia mais, confunde-se segmentação com segregação. Encontrar pessoas com interesses parecidos com o seu é ótimo, mas desprezar e até mesmo hostilizar quem tem pontos de vista e hábitos diferentes não é segmentação. É preconceito. Burrice.

Tá ficado difícil

Dizem que o ser humano evolui. Eu acho que é mentira. Acho que o ser humano é uma espécie que "involui", anda para trás, esquece o que aprendeu de bom e volta a fazer merda. A maior prova disso, ultimamente, é o trânsito.

Cara, eu acho que o povo tá esquecendo como dirigir. Isso se algum dia souberam. Todo dia eu saio de casa e levo a Dé para o trabalho, em Taboão da Serra. Cara, é impressionante o tanto de cagada. Gente que entra sem sinalizar, nego correndo (mesmo) na contramão (contra mão? contra-mão?), pedestre passando em tudo que é lugar sem olhar se vem carro ou não, tá uma beleza. Isso sem contar o tanto de gente que para, olha, vê que vem vindo um carro e entra na frente do mesmo jeito.

Esse feriado eu fui viajar. As estradas estavam cheias. E o pior, cheia de gente fazendo cagada. O terror das motos continua. Você está lá, a 100, 110 km/h e passa uma moto do teu lado que parece que teu carro tá parado. Quantos policiais os caras tem que matar até alguém fazer alguma coisa? Na ida um cara tentou mudar de faixa com o meu carro do lado do dele. O susto foi tão grande que a minha cunhada saiu até batucando prá tentar fazer barulho para o cara se ligar e parar. Depois de conseguir desviar (nem eu sei como), o cara encosta, vai devagarinho, parece que nem tava na estrada. Na volta, a mesma coisa. Esse nem deu tempo de tentar fazer nada. Só meti a mão na buzina e rezei para o cara parar. Depois o cara emparelha comigo para pedir desculpas. A Dé mostrou o Pedro prá ele, tipo "se liga o tamanho da merda que você podia ter feito, animal".

Te falar que nunca tive, mas ultimamente ando até com medo de dirigir. Cada hora inventam uma lei nova, mas parece que as multas só chegam prá mim. E para o antigo dono da minha casa, que toda semana chega uma multa lá prá ele.

19 de fevereiro de 2009

Soluções ridículas

Lembro de um pedaço do livro do Seinfeld, O Melhor Livro Sobre Nada, que ele fala sobre o capacete. Não existe nada mais ridículo que o capacete, segundo ele, nessa linha de raciocínio: um dia, o homem percebeu que estava fazendo coisas para quebrar a cabeça. Em vez de parar de fazer essas coisas, ele achou que era mais legal inventar um negócio para proteger a cabeça. E mesmo assim, tivemos que transformar o negócio em obrigatório, porque senão nego continuava abrindo a cabeça em vez de usar o negócio que ele mesmo inventou para que isso não acontecesse mais.

Concordo com ele. O capacete é uma das soluções ridículas que o homem inventa para os mais variados tipos de problema, que ele mesmo cria.

Estou falando isso, porque depois da confusão do jogo entre SPFC e a galinhada, já tem gente falando em se proibir a presença de duas torcidas em campos de futebol. É a mesma coisa. Em vez que prender os vagabundos que brigam, tirar os pontos do time cuja torcida fez merda, responsabilizar os diretores de merda das federações e dos próprios times, ou seja lá qual a medida mais contundente, os caras querem que só vá uma torcida no estádio. Essa é a solução mais ridícula e preguiçosa que teria para esse negócio.

Proíbe logo a torcida toda de ir. É até melhor, porque o clube não tem que gastar com manutenção do estádio, só do campo. E todo mundo pode jogar na rua Bariri, no campo do desafio ao galo.

Melhor ainda!!!! Proíbe o futebol! Se não tem futebol, não tem torcida, aí não tem violência. Não é do caralho? Resolve todos os problemas de uma vez! Acaba com a corrupção dos cartolas, com a violência, com os cambistas, com as torcidas organizadas, com as brigas de marido e mulher domingo de tarde e quarta de noite. Essa é a solução. Nunca mais vamos ouvir falar de Ricardo Teixeira, Dunga, Gaviões, Independente, Mancha, bombas de efeito moral, mortos e feridos!

Quem sabe, com o futebol proibido, o povo não presta atenção no país que a gente vive, tira a neblina da distração da frente dos olhos e as coisas começam a melhorar.

9 de fevereiro de 2009

O mundo ficou chato

Antes, todo mundo falava, em tom de profecia: "O mundo está ficando chato!" Pois é, cabe a mim o papel de arauto da destruição, portador de más notícias. O mundo JÁ ESTÁ chato. Não sei quem foi o filho da puta que inventou o tal do Politicamente Correto, que nada mais é que o jeito politicamente correto de ser chato, mas esse cara devia ser queimado na fogueira da anarquia enquanto se afogava num oceano inacabável de hipocrisia.

Porque eu quero saber quem é o cara, por mais chato, digo, politicamente correto, que seja, que nunca chamou um negro de "Negão", nunca fez uma piada sobre uma deficiência de alguém ou que mesmo nunca tenha desejado, no confinamento secreto do lar, que um adversário entrasse em combustão espontânea.

Um dos exemplos é o trote da faculdade. Até os trotes agora são politicamente corretos. Daqui a pouco vão baixar um manual do trote. Eu fugi do trote quando entrei na faculdade porque era cabeludo. Um monte de gente se ferrou, ninguém reclamou. Não participei do trote porque não quis e não me arrependo. Faz parte do caos inerente à tudo que é anárquico essa coisa de não ter script. Quem quer me dar trote que me ache. Eu não quero passar por ele, me escondo. Rola uma interação entre calouros e veteranos no trote? Porra nenhuma? Nego nunca mais se vê e nem se fala. Uns querem mostrar que são "donos"(porra nenhuma) da faculdade e outros querem mostrar para a sociedade que passaram no vestibular. Eu acho uma babaquice, mas se tem quem goste, foda-se.

Hoje é normal, ao se ler a crítica de um show, filme, qualquer coisa, que seja mais forte ou mais engraçado, a expressão-clichê "deliciosamente politicamente incorreto". Que é o jeito politicamente correto de dizer que o negócio não é chato. Ou seja, até para não ser chato, tem que ser chato, ao menos na explicação. E o pior: mesmo o cara chato, que criticou e achou legal, sabe que está errado.

Prá mim, não existem coisas erradas. Existem situações em que as coisas FICAM erradas. Pode ser uma hora errada, uma entonação errada, uma expressão errada, em que a coisa FICOU ou PARECEU errada. É quando a gente pensa "perdi uma chance de ficar quieto". Aí não é questão de ser politicamente correto ou não. É questão de educação e inteligência (ou falta das duas coisas).

Eu, por exemplo, chamo meus amigos negão de negão, os gordos de gordo, meus pais de véio, conto piada até em velório, encho o saco de todo mundo e não dou a mínima para quando enchem o meu. Em compensação, detesto falcatrua, não dou grana pro guarda prá escapar da multa, e tem assuntos, como violência contra mulheres e crianças que me deixam doido de ódio só de ouvir. Isso não quer dizer que eu sou politicamente isso ou aquilo.

Quer dizer que eu sou humano.

12 de janeiro de 2009

Twitter e a web 2.0

Um brother meu um dia disse: a web 2.0 é uma merda, chata prá caralho. E ele tá certo. Uma coisa que eu sempre vi na internet, fosse em chats, fóruns, MMOGs ou qualquer tipo de interface que juntasse meia dúzia de seres humanos, é que a interação entre eles se tornava ridícula. Seja porque estão mentindo alucinadamente ou porque estão se xingando, ficar online com mais algumas pessoas em algum lugar se tornou uma tortura. Qualquer ambiente online frequentado por brasileiros, imediatamente esvazia, se tornando praticamente um serviço nacional. Burros e se sentindo protegidos pelo "anonimato" da internet, entram em serviços estrangeiros para espezinhar os gringos com um inglês que só nos faz passar (mais) vergonha.

Esse nome, Web 2.0, inclusive, usado para denominar conteúdo gerado por usuários "não-remunerados", pelo menos diretamente, assalariados, deve ter sido inventado por um desses caras que criaram um puta hype em cima deles mesmos, para tentar criar alguma relevância no tal do conteúdo que eles mesmos geravam. Claro que tem muita gente boa escrevendo por aí, mas, como em todo lugar, também tem muito picareta. E muitas vezes, descobrimos que aquele cara super antenado com as últimas tendências, ele mesmo criando muitas delas, é aquele nerd gordinho que se você conhecesse pessoalmente nem entraria no site dele. E que em círculos sociais normais, de carne e osso, nunca foi muito importante.

Pois é essa turma que virou a grande influenciadora desse final de década. Os caras que a interação virtual é maior que a tradicional. O cara que tem mais amigos no MySpace, no Orkut, no Facebook, no MSN do que na vida real. Um dia desses fiz uma faxina no MSN e deixei só meus parentes e amigos. Minha lista diminuiu de quase 400 pessoas para umas 80. Honestamente, ainda não senti falta de ninguém ali.

Mas porque escrevi TWITTER, no título do post? Porque o twitter, apesar de muito bacana, é para mim um termômetro dessa babaquice 2.0. Muita gente, na pilha de se tornar uma celebridade 2.0, acaba criando para si mesmo um personagem, um ser diferente de tudo que gosta e faz, mas que sabe (ou acha) que vai ser bem aceito pela "comunidade" da internet. Alguns personagens, apesar de notadamente criados para isso, são bons. Mérito do criador/criatura. Alguns dos caras que acompanho no Twitter são ótimos personagens. Acompanho como obras de ficção, que é como acho que esses tipos devem ser tratados. É como se eu estivesse lendo uma história em quadrinhos, um livro, vendo uma série de TV. Vejo, mas não tenho nenhum interesse em me aproximar. E se um dia sumir, não vou sentir nenhuma falta.

Já outros personagens são muito ruins. São caricaturas, tão falsas e forçadas que reforçam o desgosto pela raça humana. Mas Freud explica. A necessidade de aceitação, carinho e afeto é uma coisa séria e, mesmo sendo falso, virtual, o preenchimento dessa necessidade pode estar fazendo bem para um ser qualquer. Então, que ele seja feliz.

Mas gosto mesmo de ler meus amigos, os que sei que o personagem não foi criado para a web 2.0, mas para a vida. É muito mais divertido, emocionante e, sem dúvida nenhuma, melhor ainda depois de um papo pessoalmente.

24 de novembro de 2008

Nota Fiscal Eletrônica - outro engodo

Depois de me decepcionar com a Nota Fisca Paulista, eis outro engodo.

Como todos sabem, tenho uma empresa. Não é um ME, é um LTDA, logo, pago ISS todo mês. Sempre me falaram que parte desse ISS volta como crédito para abatimento do IPTU. Inclusive, uma vez liguei para a prefeitura, falei com os caras e fui informado que só posso indicar o imóvel em novembro. Pois bem, estamos em novembro. Depois de pagar 11 meses de ISS, descobri que tinha apenas R$ 0,30 de crédito. Isso. Tenho a fortuna de 30 CENTAVOS para abater do meu IPTU. Liguei para a prefeitura e perguntei como tenho crédito de quase 50 reais todo mês e na hora de abater só me aparecem 30 centavos. Aí a moça me deu a informação que pode mudar uma vida: crédito não é para quem presta o serviço, emite a nota e PAGA O IMPOSTO. É para o TOMADOR do serviço.

Minha cara prefeitura de São Paulo, pode pegar os 30 centavos que eu tenho direito, fazer um rolo de moedas de 1 centavo e enfiar no cu. Melhor, não enfia ainda não. Espera eu ter uns 4 reais de crédito, prá pelo menos cutucar a próstata.

Essa é a lei mais imbecil que eu já vi na minha vida. Quem paga o imposto sou eu, ou a minha empresa, e quem ganha o crédito é outra empresa. Vai se foder.

BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS!

6 de novembro de 2008

Lord Inglês

A humor mais contestado do mundo é o inglês, reconhecidamente negro. Em alguns lugares, para algumas culturas, as piadas inglesas são de extremo mau gosto. Inclusive para brasileiros.

Eis que o pai do Lewis, Anthony, ficou puto com as piadas dos brasileiros com o Hamilton e com as vaias recebidas por ele em Interlagos. Primeiro as vaias: só mesmo um lord inglês como o Hamilton pai para esperar que a torcida local veja um estrangeiro ganhar o título de uma prata da casa e não se manifestar, aplaudir e achar tudo lindo. Mais do que qualquer outra coisa, as vaias foram uma manifestação de desapontamento com o resultado, e não de desaprovação ao concorrente. Aliás, nem bem o filho virou campeão do mundo e o pai já adotou o umbiguismo como religião, achando que tudo acontece em volta dele? Tá errado. Sobre as brincadeiras, concordo que podem ter exagerado, ainda mais dando uma camisa do Vasco para o coitado. Mas quando o pessoal do Pânico deu a tartaruga Barrichelo para o Schumacher, tudo beleza? Quer dizer, o mundo acha engraçado quando nós somos os palhaços, mas quando brincamos, aliás, de maneira muito mais light do que um inglês faria, o cara magoa? Ah, vai pro inferno.

A única coisa em que o cara está correto é quando o assunto é o racismo que alguns imbecis praticam com eles. Ainda tem gente incapaz de enteder que o mundo mudou? Vi a entrevista do Will.I.Am no Omelete e ele fala um negócio do caralho. Se perguntar para um brasileiro, preto, qual a nacionalidade dele, ele vai falar brasileiro, e não afro-brasileiro. É isso. A gente é mais do que carne, pele e osso. Aliás, de tudo que somos, carne, pele e osso são as partes que menos dizem sobre a gente. Se isso fosse importante, o que dizer o Hawking? Que ele é um aleijado? Independentemente de ser um dos caras mais inteligentes mundo.

Essa necessidade humana de segregar, categorizar tudo e todos é inexplicável. Brancos, Negros, Amarelos, Índios, Judeus, Muçulmanos, Protestantes, X, Y, Z... Enquanto não entenderem que a espécie (humana) é mais importante que qualquer raça, credo, etiqueta, categorização, corremos o risco de um dia sermos discriminados por ter um Basset Hound em casa em vez de um pastor alemão.

E tão racista quanto quem acha que uma raça é superior à outra, é quem acha que falar que a situação está preta é sinal de racismo. Quem acha que falar "olha que negra linda" é racismo, mas "olha que loira linda" é elogio.

O velho Hamilton exagera nas reações sobre as piadinhas, mas não existe reação adequada para essa imbecilidade que é o racismo.

27 de outubro de 2008

Pergunta

Se você tivesse que fazer uma comparação entre os canais de TV abertos, descrevendo brevemente os canais, como seria? Sim, eu sei que é uma tarefa árdua, até porque para isso você teria que assistir aos canais abertos. Mas pegando os principais. Prá mim, por exemplo, seria assim (por ordem alfabética para não ter encrenca):

Band: esporte e CQC
Cultura: para crianças
Gazeta: Ronnie Von
Globo: Futebol e novelas
Record: Podreiras
RedeTV: Nojeiras
SBT: Silvio, Maísa e Chaves

Agora, porque eu quis fazer isso? Parece que, para a audiência em geral, as redes de TV já tem um "rótulo" pré definido. Tipo, prá ver futebol, tá passando o mesmo jogo na Band e na Globo, todo mundo odeia o Galvão (ou diz que odeia), mas assiste na Globo. Logo, futebol é Globo.

Mas me espantou como, semana passada e retrasada, o Ibope revelou o que as pessoas assistem quando a face sanguinária e nojenta do brasileiro se manifesta. Primeiro no lance de Santo André, mesmo mostrando a mesma coisa, a Record deu mais audiência do que a Globo. Ou seja, parece que no quesito sangue, a turma do bispo leva vantagem. Quando o lance é jornalismo sensacionalista em cima da desgraça alheia, a Record tem um ótimo recall (trocadalho acidental).

Só que, semana passada, a Band, enquanto o Datena mostrava outro caso desses, de uma menina que foi assasinada dentro de um carro, chegou a dar 17 pontos em SP (saiu na Folha). Pode ser um reflexo do povo querendo, literalmente, sangue novo, mas o fato é que os destinos nesse caso também não foram a Globo, mas Band e Record.

Será que isso indica um caminho para uma futura "especialização" dos canais abertos? Ou será que é só o nariz do público, apontando para os destinos mais indicados para cada tipo de situação?

E o mais importante de tudo: será que dar um puta audiência com uma desgraça é melhor que uma audiência mediana com coisas boas? Vale mais 20 pontos de Ibope com morte e sangue, ou 5 com educação e respeito?

Se você anunciasse em TV, qual seria sua resposta? Você preferiria sua marca vista por milhões vendo a menina morta, ou por milhares que estão se divertindo?

Rápidas e mortais

Um post multi, multi, multi marcadores!

Eleições em SP: Claro, deu Kassab. Podem espernear, falar do PFL, dos caciques da ditadura, toda aquela conversinha de petista quando perde. "Ele usou a máquina", dizem, mas ter o presidente como cabo eleitoral pode? Então vão tomar no cu. A eleição do Kassab foi um recado claro: Marta Suplicy não ganha mais nada por aqui, com a pompa e arrogância que demonstra cada vez que abre a boca.

Eleições no Rio: Rá! Quando meus amigos me falarem que paulista vota mal, vou lembrar dessa eleição. Perderam a chance histórica de eleger um cara que, se não é um espetáculo, seria pelo menos uma novidade sem tamanho, para eleger o PMDB, que lá é do pastor Bolinha. Ovelhas.

Brasileirão: De fininho, sem fazer escândalo, sem alarde, o São Paulo já está em segundo. Palmeiras e Cruzeiro perderam para quem estava, ou ainda está, ameaçado pelo rebaixamento. Sem contar que Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro ainda se trombam. Ainda dá, estávamos 12 pontos atrás do Grêmio, em quinta, e agora estamos a 3, em segundo. A reta final vai ser braba.

Fórmula 1: Acho que não dá para o Massa. Não estou nem com vontade de assistir a corrida. Tomara que eu morda a língua e fique com raiva de não ter visto.

Inferno Astral: ainda algumas nuvens, mas aparentemente, dissipando. Fé em Deus e em mim mesmo. É o caminho para botar a vida em ordem.

Por último, até porque o mais importante a gente sempre deixa para o final, para segurar a audiência: O Pedro está cada vez mais lindo. Fui comprar um presente para a chefe da Dé que faz bodas de prata e a dona da loja com um bebê no colo, do tamanho de Pedro. Quando falei que o Pedro tinha dois meses ela tomou um puta susto. O bebê dela tem 5! O moleque é um potro, um toiço, um boizinho!

20 de outubro de 2008

Minha opinião

Minha opinião pode não interessar a ninguém, mas como o Esblogo é meu, eu escrevo e foda-se. Tudo que eu não queria na vida, é que esse negócio de Santo André virasse o espetáculo que virou. É que nem a Isabela Nardoni, vira circo, desrespeita as famílias, cria culpados, um monte de gente tem seus 15 minutos de fama e depois fica tudo como antes. Como a Suzane Von qualquertoffen. Como o Champinha. Como todas as merdas que assombram a gente todo dia e a gente tem que achar que é normal.

Não adianta procurar culpados onde não tem. É como procurar pelo em ovo. Agora é fácil falar que a culpa é da polícia, que foi incompentente, covarde, whatever. Primeiro, porque, prá começar, essa merda toda tem um culpado só: O tal do Lindemberg, um moleque de 22 anos que namorou por 3 uma menina de 15. Ou seja, com 20, ele namorava uma criança de 13. Tomou um pé na bunda e despirocou. Não me peçam prá achar normal.

Já responsáveis, tem um monte. E os principais, os abutres sanguinários que vivem de carniça e da desgraça alheia, que virou a imprensa desse país. Primeiro, porque transforma uma situação com enorme potencial para cagadas em espetáculo. São linhas do tempo, perfis traçados por especialistas, anatomia de um desastre anunciado. Esse bando, junto com os retardados que defendem "os direitos humanos" enfiam uma pressão sem tamanho nos policiais que, na hora de decisões rápidas e precisas, tem que considerar o fator "encheção de saco" e "carreira no esgoto", por conta de gente que não tem o que fazer. Apesar de ainda achar que a atuação da polícia foi ridícula, concordo com uma frase do comandante da operação depois de encerrada a conversa, em que ele diz que se enfiasse uma bala na cabeça do moleque, em qualquer uma das inúmeras chances que teve, estaria sendo crucificado por matar um menino de 22 anos sem antecedentes criminais. Os filhos da puta que defendem os direitos humanos criam esses marginais por antecedência. Eles sabem que sempre vai aparecer alguém prá chamar de coitadinho, passar a mão na cabeça e foder quem tenta dar um corretivo na medida certa. Como disse um policial de Santo André que não quis se identificar, uma bala de calibre certo, na cabeça certa, daria outro fim nessa história e, em vez de 3 famílias chorando, teríamos só uma. 66% de economia de lágrimas. Chegamos ao ponto ridículo de uma imbecil entrevistar o moleque, ao vivo, por telefone, em um programa de TV. Aí fodeu de vez. Virou celebridade. "Minha página no Orkut vai bombar", ele deve ter pensado. E a assesoria de imprensa da emissora ainda divulga nota dizendo que a tal imbecil AJUDOU na negociação. Que a consciência dela viva com o peso de ter participado dessa merda toda.

Agora o circo está armado, o prato cheio para os urubus e hienas. Por 15, talvez 20 dias, só ouviremos falar de Eloá e Lindemberg. Depois, o assunto vai esgotando, deixando de dar Ibope, esmoecendo, até outra merda, talvez maior que essa, monopolizar nossas atenções de novo.

O assunto só vai voltar a ser importante quando daqui a sei lá quanto tempo, virar um pseudo-documentário no cinema, ganhando ursos e libélulas em festivais pelo mundo afora.

16 de outubro de 2008

Paul para Presidente - de novo

Mas dessa vez não quero ser presidente do Brasil. Quero ser presidente da CBF. E não é prá ficar rico, que nem todo mundo que entra prá trabalhar com futebol. Tá certo que se ficasse não ia achar ruim, desde que fosse de forma lícita.

Como todo mundo sabe, o caos no futebol brasileiro é estrutural. Então, minhas medidas como presidente seriam para atacar essa estrutura. Então, olha só que bando de idéia batuta.

1 - A não ser que o clube tenha um dono, de fato e de direito, tem que ter eleições para presidente do clube, com eleição direta pelos sócios e também com limite de reeleições de no máximo 2 mandatos de 2 ou 4 anos. Nada de nego que fica 60 anos mandando no clube. Se não cumprir isso, não disputa campeonatos da CBF, não é reconhecido pela entidade e, consequentemente, pela FIFA. Já se o clube tem dono, ele faz do jeito que quiser, visto que se o clube perde dinheiro, quem está perdendo é ele, como manda o figurino. Acho que uma medida dessas ajudaria a fazer com que os dirigentes pensassem mais no clube e menos no próprio umbigo.

2 - As federações estaduais teriam que trocar o comando a cada 4 anos, em eleições diretas com os representantes dos clubes e em anos que não tem eleição para presidente da CBF, para não mudar todo mundo junto. Os presidentes dessas federações elegeriam o presidente da CBF e ninguém, nem os estaduais e nem o da CBF, no caso eu, teria direito à reeleição. Ou no máximo, uma reeleição, mas aí com mandatos de 3 anos.

3 - Ligas independentes e associações de clubes: com uma federação honesta e funcional, não faz sentido ter representações paralelas. Se quiser ter, tenha, organize tudo por conta e risco, mas não será filiado das duas. Democracia é legal, mas em terra que todo mundo manda, ninguém obedece.

4 - Finalmente, a seleção. Que todo mundo reclama que perdeu a identidade com o brasileiro, que não joga nada e que os moleques só pensam em grana e balada. Pois é. Reflexo da falta de controle que deixou o futebol nessa zona. Então, primeira coisa. Para definir o técnico, que como diria o Luxembugo teria a função de MANAGER, eleição. As federações votam e a CBF fica com o voto de minerva. Uma vez eleito, ele vai, além de dirigir do time em campo, montar uma equipe, CONTRATANDO os jogadores. Sim, os jogadores da seleção passariam a ser da CBF, que seria dona dos direitos dos jogadores. O princípio é montar um time, sem essa ladainha de que futebol é momento e tal. Já disse isso, não tem que ter só os melhores, tem que ter os caras certos. Então, o objetivo é a Copa do Mundo? Monta-se um time que vai ser o mesmo por 3 ou 4 anos. 25 jogadores contratados da CBF, que são um time, treinam juntos, jogam juntos e sem essa esparrela de não ter tempo para treinar. Sei que a seleção não joga toda hora, então tem que manter esses caras em atividade. Empresate-se esses jogadores para times preferencialmente brasileiros, que em contrapartida, liberam o jogador para treinos com a seleção duas antes de qualquer compromisso em datas oficiais da FIFA. No caso de competições como Copa América e Copa das Nações, dois meses antes e Copa do Mundo, três.

Sei que muita gente perguntaria: Pô, mas aí compra o Ronaldinho e na hora de jogar o Alex tá muito melhor que ele. Na boa, um time, treinado e acostumado com os seus componentes, joga mais que um amontoado de craques. Acho que isso já está mais que claro, com o exemplo que a gente tem. Futebol é conjunto, e se 11 pernas de pau vão mal, 11 caras que sabem jogar e jogam sempre juntos vão melhor que 11 craques que não se vêem, não se falam e muitas vezes nem se toleram, por conta de vaidades.

É uma pena ver o único esporte que deixa gente rica no Brasil nessa merda, enriquecendo os caras errados e indo para o buraco...

7 de outubro de 2008

É o papo da esmola

Quando é muita, o santo fica com o pé atrás.

Hoje me liga a mulher da Claro para "confirmar" o número do meu cartão. E aí pede de 5 a 7 dias úteis para eu receber o iPhone. Ou seja, se realmente chegar, só na semana que vem. Bom, foda-se. É só mais um exemplo a se relatar de como as operadoras são ruins. Nem quando te ligam para vender o negócio conseguem vender direito.

E só para falar da incompetência alheia (a minha eu escondo, óbvio), a Warner Channel se mata de divulgar os Sopranos, a série que mudou a história da máfia (?), sem cortes, coisa linda de Deus, melhor que avaiana de pau e na hora de exibir dá um pau atrás do outro? Pelo menos pela Sky tava impossível de assistir. Legendas zuada, falta de legendas, travando a imagem e ficando só com som, sem imagem nenhuma um monte de vezes.

Teve uma hora que o Tony e o Chris vão espancar um cara e a tela fica toda preta. Eu, que perco a série mas não a piada falei para o meu pai, que tá em casa e tava assistindo comigo: "Ainda bem que é sem cortes, senão a gente não ia ver essa violência toda..."

Sem contar que as legendas que você baixa na internet são melhores que as da Warner. Acho que os caras estão baixando as legendas e prá disfarçar estão "piorando" o trabalho dos caras que fazem de graça.

2 de outubro de 2008

A Crise Americana

Como todos sabem, não sou de colocar aqui coisas que recebo por e-mail. Mas essa explicação de como "funciona" a crise americana é tão boa que resolvi postar. Claro, dei uma mexida no texto, para ficar mais com a minha cara.

É assim:

O seu Biu tem um bar na Vila Carrapato e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito, tipo a TAC e a taxa de cobrança que os bancos cobram da gente).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível e começa a adiantar um dinheiro ao estabelecimento, tendo a pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO , CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, o Bar do seu Biu vai à falência e toda a cadeia se fode.

18 de agosto de 2008

Chora não, Jade!

Depois do "Pedala, Robinho!" e do "Samba, Tevez!", o lance é o "Chora, Jade!". Coitada da menina, é uma baita ginasta, mas qualquer coisa, chora! Aliás, ela tem cara de choro até quando está feliz. E agora, além do choro, pedem desculpas porque perderam. A Jade, a Ronaldinha Gaúcha, digo, a Daiane e até o Diego Hypólito.

Todo mundo que me conhece já me ouviu falar isso, mas tirando o futebol (e talvez o vôlei), nenhum atleta que está em Pequim deve nada para ninguém, a não ser para eles mesmos. O país não apóia, não tem estrutura para ter atletas de ponta em esporte nenhum (só futebol e talvez o vôlei), não incentiva e eu acho que ainda atrapalha, colocando pressão em alguns atletas que, do dia para a noite, são transformados em "esperança", "herói" ou sei lá mais que merda inventam e tocam nos ombros dos coitados.

Maior exemplo é o Cielo: o que se faz para a natação no Brasil? Onde treinam os nadadores? O Cielo, por exemplo, nos US&A. Na hora do pódio, o cara chorava que nem quem tem mãe na zona, sob os olhares curiosos dos dois franceses que ficaram com prata e bronze. Eles pareciam não entender o choro do cara. E é claro que não entendem. Nasceram na França, um dos 7 países mais ricos do mundo. Se resolveram ser nadadores com 5 anos de idade, tiveram apoio, estrutura, treinos apropriados desde essa idade, estar ali era natural para eles.

Pergunte em Santa Bárbara D'Oeste se estar com o ouro no pescoço em Pequim é natural para alguém? Por isso que eu entendo porque ele chorou. Devia estar pensando no pai, na mãe, em quem apoiou e acreditou nele, de quem é obrigado a viver longe, porque prá fazer o que ele gosta, e é bom fazendo, tem que morar a 10 mil km de distância deles. A melhor coisa que eu ouvi é que ele não participou do Jornal Nacional porque estava dormindo. Certo ele. A "emissora oficial" é uma escrota, que faz até mágica com as câmeras para esconder os (poucos) patrocinadores do esporte no Brasil, prá depois capitalizar em cima desses abnegados, a quem, como eu disse, mais atrapalha do que ajuda.

Tirando os jogadores de futebol (e talvez do vôlei), nenhum dos caras que está em Pequim deve desculpas para ninguém por aqui. Eles não nos devem nada. Nós, sim, como país, é que devemos a eles. Devemos apoio, estrutura, profissionalismo.

Não chora, não, Jade. Quem tem que chorar somos nós. De vergonha.

16 de julho de 2008

Nota Fiscal Paulista

Desde o começo do ano, quase toda compra que eu faço, peço para colocar o meu CPF na nota. Resolvi aderir ao programa Nota Fiscal Paulistana, que além de ajudar a fiscalizar se os estabelecimentos estão pagando seus impostos (já que os meus e da minha empresa eu pago), poderia me render uma graninha. Se não me engano, 30% do ICMS pago nas compras volta em créditos para o meu CPF.

Mas enfim, essa semana me cadastrei no site da secretaria da Fazenda de São Paulo para ver como andava essa história. Literalmente, de R$ 1.119,67 reais em notas fiscais, tenho em créditos R$ 10,86!

Tirando várias notas que ainda estão com Status "A Calcular", todos os outros, gerando créditos ou não, estão com status "Provisório". Ou seja, essa quantia nababesca de dinheiro por ser que ainda nem seja creditada.

Algumas notas que não geraram crédito, tem as explicações, que só me deixaram mais puto. São elas:

Drogasil - "O Crédito não foi gerado pois não se encontram disponíveis alguns dados necessários para o cálculo". Cacete. Não tá o meu CPF, o valor da compra, o CNPJ do estabelecimento? O que falta, então? Vai pro inferno, quero meu crédito.

PBKids - "O Crédito ao consumidor não foi gerado, pois não se encontram disponíveis alguns dados do estabelecimento fornecedor necessários para o cálculo". Novamente, quero que se foda. Eu fui lá, dei o meu CPF, paguei a conta e, por consequência, os impostos, se a loja não tá pagando, tá irregular, tá faltando dados, pau na bunda dela. Quero meu crédito. Multa a loja, fecha, bate no dono. Eu não tenho nada com a falta de dados deles. Não posso ir lá e mandar o cara se acertar.

Leroy Merlin - "O Crédito ao consumidor não foi gerado, pois o estabelecimento fornecedor não faz parte do cronograma do projeto para o mês indicado na data de emissão desse documento fiscal". Isso era uma compra de R$ 54! Eu tenho outra, calculando, de R$ 261! Quer ver que vou perder o crédito dessa também? Além disso, que merda de política é essa? Se a loja já está mandando os dados para o crédito, por que não conceder? Vai ficar esse embaço até quando?

Além disso, nos créditos que eu recebi, também tem coisa estranha. Numa compra na Cobasi, de R$ 109, ganhei crédito de R$ 2,29. Em R$ 31 do McDonalds, ganhei R$ 2,32. Depois, em outra compra da Cobasi, mesmo valor e mesmo produto, o crédito foi de R$ 6,25.

Como me falaram por aqui, sou o fiscal mais barato do mundo. Por apenas R$ 10, os caras tem uma idéia de quanto eu gasto e onde. Tudo bem, que R$ 1119 é uma parte pequena do que eu gastei no primeiro semestre. Mas mesmo assim, puta programa cagado, cheio de buraco. Quero saber como eu detono os caras que ainda não me deram crédito, ou os caras que eu dei o CPF na nota e nada de aparecer os caras no relatório.

Se a coisa continuar assim, vou parar de colocar o CPF nas notas e o governo que se coce para fiscalizar os caras. Que eu não sou relógio, prá trabalhar de graça.

23 de junho de 2008

A problemática

Como diria Dadá, o mais marketeiro dos jogadores de futebol, não estou aqui para mostrar a problemática, mas para apresentar a solucionística.

Sei lá porque, mas tenho pensado muito nos últimos dias sobre como o país está uma merda. Tentando identificar as causas e, claro, pensar nas prováveis soluções. Há quem pense que é estranho um cidadão comum ficar pensando em soluções para o país, porque eu não sou político nem nada, mas acho que o melhor caminho para melhorar o mundo é todo mundo pensar em como fazer isso, e fazer.

E cheguei a uma conclusão inusitada. O futebol faz mal para o Brasil.

Porque para mim, um país vive de exemplos. E os exemplos que temos vindo do futebol são podres. Primeiro: você não precisa estudar. É só ter habilidade e poderá ser milionário. E no Brasil, qualquer milionário é doutor. É só reparar, tudo quanto é milionário gosta de ser chamado de doutor. Isso é uma merda, porque não importa o quão rico seja um cara, se ele é burro, ele é só um burro. Com dinheiro, mas burro. E ao ver um burro na TV, falando "para mim fazer", "a gente tentamos", "o póprio time", entre outras pérolas, o que pensa uma criança? Posso ser burro, e ainda assim, posso ser rico.

O problema disso é que para cada jogador que dá certo, 1000, 10000, 100000, sei lá quantos mil, ficam pelo caminho. Aí continuam pobres, além de burros. E gente burra, bem se sabe, é fácil de ser manipulada, ou comprada com qualquer bolsa esmola.

Segundo: chega um dirigente em um clube. Se instala lá com a sua patota e fica, anos a fio, fazendo tudo quanto é tipo de falcatrua, usando o nome do clube como cartão de visitas. De um forma que eu não consigo entender, a justiça não alcança esses caras, mesmo sabendo que eles fazem as merdas. Por quê? Bom, quem teria coragem de fechar um time de futebol? Imagina um cara que chega e fecha o Corinthians, por cona de sacanagens com os gringos. Como um cara desses enfrenta sei lá quantos milhões de torcedores que, de uma hora para outra, ficaram sem a grande paixão da vida deles? Qual a mensagem: não preciso ser foda ou competente. Preciso é ser parte da patota do esquema.

Terceiro: federações e afins. É a mesma coisa que com os dirigentes. Só que potencializado, porque além de tudo, esses caras tem acesso a políticos em uma escala muito maior. A mensagem também é ruim. E é a mesma: fazer parte do esquema é mais importante, ou lucrativo, que ser esforçado e ético.

Não quero tirar o direito de ninguém de enriquecer, nem tiro os méritos de quem chegou lá. Só acho que a máquina toda é prejudicial para o Brasil. Os exemplos são ruins, e os motivos para ninguém fazer nada são ainda mais injustos. Futebol é o circo da nossa versão nacional do pão e circo para entreter os burros enquanto os espertos nadam de braçadas num mar de malfeitos.

Não acho que a solução para o país seja simplesmente acabar com o futebol. Mas com certeza, a moralização do país passa pela moralização do futebol. Jogadores instruídos, dirigentes éticos, federações transparentes, enfim, bons exemplos para aqueles que almejam alcançar esse nirvana milionário da elite do futebol.

Quem sabe assim, mesmo os que não chegam lá, pelo menos estejam mais preparados para a vida real.

2 de junho de 2008

Futurologia

Uma das coisas mais bacanas de quem trabalha com tecnologia, mas também uma das mais difíceis, é imaginar constantemente como será o futuro. O amanhã, o mês que vem, o ano que vem, a próxima década, o próximo século. Num mundo em que tudo muda a cada 6 meses, tentar imaginar como serão as coisas em 10, 15 anos é ao mesmo tempo engraçado e sofrido. Engraçado porque sempre saem idéias das mais malucas. Sofridas, porque numa aposta errada, um emprego ou mesmo uma carreira inteira pode ir para o buraco. Exemplo maior disso, Bill Gates, que comprou o DOS de um amigo que achava que aquilo não ia para frente. BG é um dos caras mais ricos do mundo. O amigo eu nem lembro o nome...

Mas, para olhar para frente (lá vem o chavão) temos que dar uma espiada para trás. Para que a gente não corra o risco de parecer ridículo, vale a pena lembrar como eram as coisas há 10 ou 15 anos atrás. Vamos para o mais longe, 15 anos.

Em 1993, poucos afortunados brasileiros tinham telefone celular. E muitos do que tinham só conseguiram por causa da Eco92, no Rio, para mostrar para os gringos que a gente era bacana. As redes eram analógicas, não tinham funcionalidades que hoje são consideradas básicas, como o Bina, por exemplo. PDAs eram agendas eletrônicas, com 32K de memória.

A Embratel estava contratando uma banda de internet de 2Mbps para testes. Apenas um punhado de cientistas tinha acesso a essa revolução. Quem tinha computador só podia usar BBSs ou serviços de video texto. As interfaces raramente eram gráficas. O Windows era o 3.11, que era um parto para conseguir uma conexão, e os processadores eram o 486 da intel. HDs de 40MB. Monitores coloridos tinham acabado de tomar o lugar dos monitores de tela verde, que dominavam os ambientes corporativos. Máquinas fotográficas digitais eram mais raras que pepitas de ouro, e gravavam em disquetes as fotos tiradas. Ou seja, demorava mais ou menos 30 segundos entre uma foto e outra. O mundo tinha acabado de ver a primeira TV de Plasma colorida, com 42 polegas. Pouco depois disso, pagava-se uns R$ 50 mil para ter uma. DVD era coisa do futuro e BluRay ninguém nem sabia que ia existir um dia. O melhor videogame da época era o Super Nintendo, de 16 Bits. GPS? Coisa de ficção científica, pelo menos os domésticos. Isso só para ilustrar alguns pontos.

Comparando com o que temos hoje: qualquer celular tem tela colorida de LCD, câmera e memória de 512M a 1Giga. As redes são digitais e aparelhos com internet, bluetooth, GPS, 16Giga de memória e outras coisinhas não são nem um pouco raros. Os celulares embutiram também os PDAs, então vem com agendas de compromisso e sincronizam com o seu computador. Que se tiver um HD menor do que 80Giga, você está doido para trocar. Se seu monitor não for de LCD, então... E seu processador, é dual ou quad core, com 3.2GHz? Mas poderia. Câmera digital só não tem quem usa a do próprio celular e uma TV de Plasma não custa mais R$ 50K, custa R$ 2,5K. E é melhor, porque é HD, ao contrário de sua ancestral caríssima. O Playstation 3 tem sei lá quantos bits e já é leitor de BluRay.

Aí a gente fecha os olhos e tenta imaginar como será que estaremos daqui a 15 anos. Eu tenho algumas idéias, ou pelo menos, algumas coisas que eu gostaria que mudassem.

A primeira dela: fios e cabos. Tirando os cabos de energia elétrica, acho que os outros vão sumir. Claro que ainda tem coisas que ficam melhores com cabo do que a transmissão sem fios, mas esse negócio de ter que ligar o DVD, o video game, o bluray, o decoder da TV paga, tudo na TV ou num receiver, para depois ainda ter que passar cabos pela sala toda para ligar as caixas de som, que podem ser 6, 8 ou 10, dependendo do seu receiver, é muita coisa. Já existem caixas de som sem fio, mas eu acho que um dia, todas as caixas e as ligações entre esses equipamentos não serão mais com fios. A mesma coisa seu computador. Mouse, caixas de som, teclado, impressora, monitor, um monte de fio prá lá e para cá, todos com os dias contados. Teclados e mouses sem fio não são nenhuma novidade, e o HD sem fio da Apple, o Time Capsule? Só mais uma pista de um futuro sem fios também no seu computador.

TVs e monitores que não sejam flat também vão acabar. Já no começo desse ano, tudo que eu vi de novidades para TVs na CES em Las Vegas já mostra isso. Seja Plasma, LCD, LED ou oLED, todas as TVs estão cada vez mais finas, e todas dispensando o tubão de outrora.

Mobilidade: tudo será móvel e cada vez menor. Seja a TV, o computador, o video game, ou o centro de mídia que os receptores digitais, sejam eles quais forem, vão acabar se tornando. Aliás, os equipamentos vão se juntar e assumir várias funções, que antes eram de equipamentos diferentes. O Xbox360 e o PS3 são exemplos disso. Assumem as funções de video game, BluRay/HDDVD player, MP3 player, computador (no caso do PS3 você pode instalar o Linux nele), um verdadeiro mídia center que, insisto, um dia será portátil. Como os celulares, que já são telefone, PDA, GPS, câmera fotográfica e MP3 players, e agora também com TV digital.

Digital é a palavra do futuro. Nada mais será analógico, a não ser, claro, que você queira. Como até hoje tem muita gente que prefere o som do vinil ao CD, DVD ou iPod.

Minha visão do futuro é essa: cada vez menos coisas fazendo mais coisas. E sem fios.