Hoje é dia 31 de outubro. Sim, isso você já sabe. Então, também já deve saber que é tradição nesse blog escrever no dia 31 de outubro espinafrando o rélouin! Porque eu gosto de um monte de invencionice americana. Hamburger. Cachorro quente. Rock´n´Roll. Batata Frita. Mas essa porra de rélouin é realmente vestir a carapuça de colônia, de povo submisso e passar a ter como sua a cultura de outros. E isso eu me recuso terminantemente. Comida é comida, tem no mundo inteiro. Seja americana, brasileira, italiana, japonesa. Apreciamos as de lá aqui, como lá eles apreciam a nossa. Música idem. Importamos e exportamos de e para o mundo todo.
Agora, cultura, folclore, aquilo que nos torna únicos, isso não dá pé. Nossa cultura, a cultura brasileira, é muito rica para termos que importar manias puramente comerciais de outros países. Se alguém bate em casa pedindo doce ou travessura, leva um passa-fora. Se fizer travessura, chamo a polícia. Quer ganhar doce? Espere o Cosme-Damião! Quer se fantasiar? Não chega o tanto de festa a fantasia que tem por aí, você pode fazer isso em 4 e 1/2 dias de carnaval! 5, se contar a noite de sexta! E se fosse para importar um dia dos mortos de outro canto, eu acho o mexicano muito mais engraçado!
Não é só o rélouin, não, mas esse é o caso mais emblemático dessa importação de cultura sem noção que a gente vem fazendo por aqui. Você já foi em alguma festa, feira, convenção e tal, de vídeo games / animés / mangás? O que tem de gente fatasiado dos mais diversos personagens japoneses?
Qual foi a última vez (ou qualquer vez) que você viu alguém fantasiado de Saci? De Curupira? De Mula Sem Cabeça? Quantas vezes você procurou saber o que são e o que significam cada um desses personagens? Isso entre tantas outras histórias que temos, como a Iara, como Tupã, personagens e lendas dos índios, os primeiros brasileiros, ou ainda os que herdamos ou adaptamos de Portugal, assumidamente como colônia que éramos, oficialmente.
Tenho orgulho da diversidade da nossa cultura. Das diversas variações locais que temos em virtude do tamanho continental de nosso país. Do Boi do norte. Do Negrinho do sul. Do Saci de Minas. Do Curupira de nossas matas e da Iara de nossos Rios. Não preciso de um dia importado que não me diz nada. Essa eu passo.
31 de outubro de 2005
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