23 de junho de 2005

Quase um ano fora e eu resolvi voltar. Como todos que resolvem voltar, resvolvi assim, sem motivo. Voltei, entrei, abri as janelas, espanei o pó. Espirrei um pouco, claro, mas a sensação maravilhosa de estar de volta sobrepujou qualquer outro sentimento, fosse ele físico ou espiritual!

A verdade, como toda verdade deve ser, é uma só: estava com saudades. Muitas e muitas vezes pensei em voltar. Tinha vontade de escrever. Mas alguma coisa me impedia de voltar. Tinha tempo, tinha vontade, mas tinha alguma coisa errada, alguma coisa que eu não sabia nem dizer o que era. Ainda não sei, na verdade. Mas tenho uma teoria.

Eram os vampiros. Não, não os dentuços. Outros, muito piores que esses. Aqueles que sugam a sua energia, seu bom humor, sua vontade, que fazem com que tudo de bom que você tem guardado em você desapareça. Acho que mesmo a necessidade que eu tinha de escrever era subjugada de alguma forma para que eu não fizesse isso. No fundo, acho que alguma parte de mim sabia que se eu escrevesse nesse último ano (ou quase ano), não sairia nada de bom, nem de útil, nem aproveitável. E eu, com aquela velha mania, resolvi guardar tudo de ruim que acontecia, não dividir, não contar, não passar nenhum grama do meu fardo para os outros. Mesmo que isso facilitasse as coisas para mim, era o meu fardo e cresci achando que se o fardo é seu, carregue e não reclame! Carreguei. Reclamei, mais para mim que para qualquer outro, mas me livrei dele. Estou leve. Com muita vontade. Foi isso.

Voltei.

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