Well, well, well, Manuel!
Porra, Paul, você sumiu e tal. É, é verdade. Eu sumi e tal. O Esblogo ficou abandonado, isso também é verdade. Abandonado, mas não esquecido. Mas o que rolou, você me pergunta. Bom, longa e tenebrosa história, mas que parece que o final feliz finalmente aconteceu.
Prá quem não sabe, 22 de dezembro do ano passado eu fui kickado da empresa que eu trabalhava em Petrópolis, pela nobre razão de não puxar o saco do dono. Sim, simples assim. 22 de dezembro eu fazia um mês de casado. Some um mais um e você descobre que um cara casado a um mês mais uma demissão é igual a um fudido! Com u, que é mais podre. E, véspera de festas, chance zero de procurar o que fazer. E sabe aquela história que antes do carnaval nada funciona. Pois é, senti na pele que é verdade. E o tempo passa. Dois, três, quatro meses e nada. Saio de Petrópolis para parar de pagar aluguel, e volto para São Paulo. Várias entrevistas, promessas de vários lados. Cinco, seis meses e a expectativa começa a baixar. Aceito trabalhar de gari. Nem de gari querem. Começo a me tornar insuportável. Não sou boa companhia nem para mim. A idiéia de escrever me dava arrepios. Acho que eu ia acabar ofendendo as pessoas, porque eu realmente não conseguia pensar em nada de bom para falar, escrever, expressar, enfim. Cheguei a ser contratado por uma empresa, que graças a intermináveis processos escrotos e burocráticos, nunca fechou a contratação comigo.
Sete meses e, finalmente, a novela terminou. Sexta feira, dia 13 de agosto (dia que segundo meu sogro as corujas estão de folga), eu voltei a trabalhar. E com um negócio que eu gosto prá cacete: uma publisher de games online.
A parte ruim a história toda é meio óbvia: sete meses de stress, pânico, incertezas e muita, mas muita preocupação.
A parte boa é que aprendi muita coisa. Uma delas é que todo mundo tem suas falhas, todo mundo é dispensável e que a principal virtude de um homem é a humildade. De uma hora para a outra, todo mundo pode estar junto, na mesma merda. Aprendi a ter paciência, perseverança e disciplica que achei que nunca teria. Aprendi a ser humilde, como acho que às vezes eu deixei de ser. Tentarei fazer com que esse erro não se repita.
Aos amigos que me ajudaram, seja da forma que tenha sido, meus pais, meus sogros, minha família e, acima de todos, Dé, minha mulher, meu amor eterno e incondicional. Não esquecerei os gestos de nenhum de vocês, não importando o que tenha sido. Aos "amigos" que fingiram que eu não existia por longos sete meses, podemos continuar assim. Não fizemos falta uns para os outros até agora, não faremos mais daqui para frente. Assim como não esquecerei quem me deu a mão, não esquecerei quem não chegou a me oferecer.
Sei que ainda tem muita mágoa nas minhas palavras, mas ninguém passa por maus bocados sem mágoas. Como disse, o aprendizado foi gigantesco e, espero, tenha valido o esforço.
No mais, bola para frente. O bom humor está voltando a cada dia, as mágoas estão indo para o fundo da gaveta e, assim como os papéis que ficam por lá muito tempo, serão esquecidas, ficando somente as lições.
Garanto que não vou aparecer mais aqui para reclamar, mas precisava desabafar.
Para terminar, o ponto que eu mais gostei dessa história toda: finalmente, um antigo projeto saiu do papel. Ou melhor, foi para o papel. Comecei a escrever meu livro, um sonho que tenho de longe data. Não vou contar ainda a história, claro, mas deixo o título (que ele já tem), encerrando misteriosamente esse post cinzento:
Alethia!
18 de agosto de 2004
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